Logótipos feitos com IA ou geradores online: valem a pena?
Em minutos e quase de graça, um gerador cria dezenas de logótipos. O que se ganha, o que se arrisca (dos direitos ao registo de marca) e em que casos pode mesmo servir.
Os geradores de logótipos e as ferramentas de imagem com inteligência artificial produzem, em minutos, dezenas de opções com aspeto profissional. Para quem está a começar com pouco dinheiro, a tentação é óbvia. A pergunta certa não é se o resultado é bonito, mas se serve como base de uma marca que se quer proteger e fazer crescer.
O que estas ferramentas fazem bem
- Gerar ideias depressa: ajudam a perceber que direções visuais agradam e quais não.
- Testar um nome: ver o nome escrito em vários estilos ajuda a decidir se funciona.
- Resolver o imediato: para um evento, um projeto de teste ou uma página temporária, podem chegar.
Os problemas que aparecem depois
Os riscos não se veem no ecrã do gerador; aparecem meses mais tarde:
- Genéricos por natureza: estas ferramentas combinam padrões comuns. O seu logótipo pode ser muito parecido com o de outras empresas que usaram a mesma ferramenta, incluindo concorrentes.
- Dificuldade em registar a marca: um logótipo pouco distintivo ou semelhante a outros pode ser recusado ou contestado. E as licenças de muitas plataformas de modelos não permitem registar como marca um desenho baseado nos seus elementos. Leia os termos antes de investir.
- Direitos de autor incertos: o enquadramento legal das imagens geradas por IA ainda está a ser definido, e em várias jurisdições uma obra criada sem intervenção humana relevante pode não ter proteção de direito de autor. Isso significa que pode ter dificuldade em impedir que outros a copiem.
- Ficheiros que não escalam: muitas ferramentas entregam imagens em píxeis, e não em vetor. Para uma fachada, uma viatura ou um bordado, é preciso redesenhar o logótipo.
- Sem sistema: recebe um logótipo, mas não as versões para espaços pequenos, a uma cor ou em negativo, nem cores definidas para impressão, nem tipografia de apoio.
- Letras com erros: as ferramentas de imagem ainda trocam ou deformam letras com frequência, sobretudo com acentos.
O que falta: o pensamento por trás
A parte mais valiosa de uma identidade visual não é o desenho final, é o raciocínio que lá chega: perceber o público, analisar a concorrência, decidir como a empresa se quer diferenciar e traduzir isso em escolhas visuais. Um gerador não sabe quem são os seus clientes nem o que os concorrentes estão a fazer; produz o que é estatisticamente provável, que é exatamente o oposto de distintivo.
Se decidir usar, reduza os riscos
- Faça uma pesquisa de imagem inversa para ver se existem logótipos muito parecidos.
- Confirme na base de dados do INPI e no TMview que não há marcas semelhantes na sua área de atividade.
- Leia a licença da ferramenta: pode usar comercialmente? Pode registar como marca?
- Peça a um designer que redesenhe o logótipo em vetor e crie as versões necessárias.
- Encare-o como provisório, e planeie uma identidade a sério quando o negócio se confirmar.
Um meio-termo útil
A inteligência artificial pode ser uma boa aliada no início do processo: usar imagens geradas para mostrar ao designer que ambientes, estilos e cores lhe agradam torna o briefing muito mais concreto. É uma forma de aproveitar a rapidez da ferramenta sem lhe entregar a decisão final.
