Manual de normas gráficas: o que é e o que deve incluir
O documento que garante que o logótipo aparece igual no site, na carrinha e no cartão de visita, seja quem for que o aplique. O que não pode faltar, mesmo numa versão curta.
Um logótipo bem desenhado estraga-se depressa nas mãos erradas: esticado para caber num espaço, recolorido para combinar com um cartaz, colocado em cima de uma fotografia onde deixa de se ler. O manual de normas gráficas existe para impedir isso. É o livro de instruções da identidade visual.
Para quem é o manual
Não é um documento para ficar numa gaveta do designer. É para quem aplica a marca no dia a dia: a gráfica que imprime os cartões, a empresa que faz a fachada e a decoração das viaturas, quem gere as redes sociais, a agência que faz uma campanha, um colaborador que prepara uma apresentação. E é para si, daqui a dois anos, quando já não se lembrar de qual era o tom exato de verde.
O que deve incluir
Um manual útil cobre, no mínimo, estes pontos:
- Logótipo e versões: principal, secundária (horizontal ou vertical), símbolo isolado, versões a uma cor e em negativo, com indicação de quando usar cada uma.
- Área de proteção: o espaço livre mínimo à volta do logótipo, para que não fique encostado a outros elementos.
- Tamanho mínimo: abaixo de que dimensão o logótipo deixa de se ler, em ecrã e em impressão.
- Usos incorretos: exemplos visuais do que não se faz (deformar, rodar, mudar cores, aplicar sobre fundos sem contraste, adicionar sombras). É das páginas mais úteis.
- Cores: os códigos HEX, RGB e CMYK, e Pantone quando aplicável, com as proporções em que se usam.
- Tipografia: as famílias de letra, os pesos e onde se aplica cada uma, com alternativas para quando a fonte principal não está disponível (num email ou num documento de Word).
- Elementos gráficos: padrões, ícones e formas de apoio, com regras de aplicação.
- Estilo de imagem: exemplos de fotografias ou ilustrações que combinam com a marca, e das que não combinam.
- Exemplos de aplicação: cartão de visita, assinatura de email, publicação para redes sociais, fachada. Mostrar a marca aplicada ensina mais do que qualquer regra.
Versão curta ou versão completa
Uma pequena empresa não precisa de um manual de 80 páginas. Um guia de 8 a 15 páginas que cubra os pontos acima resolve a grande maioria das situações. O manual completo, com dezenas de aplicações detalhadas, justifica-se quando há muitas pessoas ou fornecedores a aplicar a marca, várias lojas ou viaturas, ou uma rede de franchising.
O critério é simples: o manual deve ter o tamanho certo para ser lido. Um documento exaustivo que ninguém abre protege menos a marca do que um guia curto que toda a gente consulta.
O manual vem com ficheiros
Um manual sem os ficheiros certos obriga os fornecedores a improvisar, normalmente a partir de um logótipo copiado do site. O manual deve ser entregue com uma pasta organizada: logótipos em vetor (SVG, PDF ou EPS) e em PNG com fundo transparente, nomeados de forma clara (por exemplo, "logotipo-horizontal-negativo.svg"), as fontes ou a indicação de onde as obter, e os modelos que tenham sido criados.
Guarde esta pasta num sítio partilhado e envie a ligação sempre que um fornecedor precisar. É um gesto pequeno que evita a maioria dos erros.
Erros comuns
- Manual sem exemplos visuais de uso incorreto: as regras escritas são interpretadas de formas criativas.
- Cores definidas só para ecrã: na gráfica, o vermelho vivo do site sai acastanhado.
- Fontes sem licença para uso na web ou em aplicações.
- Manual nunca atualizado: aparecem novas aplicações (uma farda, um stand de feira) e cada uma é resolvida de improviso.
Um bom manual paga-se na primeira vez que evita reimprimir um lote de material errado. E é o que permite que a marca continue igual a si própria quando o designer que a criou já não está por perto.
