Como escolher o nome da empresa (e confirmar que está livre)
Um bom nome é fácil de dizer, de escrever e de encontrar no Google, e pode ser registado. Os critérios para escolher e as quatro verificações a fazer antes de se apaixonar por ele.
O nome é a decisão de marca mais difícil de mudar. O logótipo, as cores e o site podem ser revistos; o nome fica nas faturas, nos contratos, na memória dos clientes e nos resultados do Google. Vale a pena dedicar-lhe tempo, e sobretudo verificar se está livre antes de investir nele.
O que faz um bom nome
- Fácil de dizer e de escrever. Faça o teste do telefone: diga o nome a alguém por telefone e peça-lhe que o escreva. Se tiver de soletrar, o nome vai perder clientes em recomendações boca a boca.
- Curto o suficiente para caber num logótipo, num domínio e numa conversa.
- Distintivo. Um nome inventado ou usado fora do seu sentido comum é mais fácil de lembrar e de proteger do que um nome que descreve a atividade.
- Sem significados indesejados, também noutras línguas, se pensa vender fora de Portugal.
- Com espaço para crescer. Um nome amarrado a uma cidade ou a um único produto pode tornar-se um problema quando o negócio se expande.
Descritivo ou distintivo?
Nomes como "Limpezas Porto" dizem logo o que a empresa faz, o que é tentador. Mas têm custos: são difíceis de registar como marca, porque descrevem a atividade; confundem-se com dezenas de concorrentes com nomes parecidos; e limitam o crescimento. A ideia de que um nome descritivo ajuda muito no Google é, hoje, em grande parte um mito: o que pesa é o conteúdo do site, as avaliações e o Perfil da Empresa no Google.
Um bom compromisso é um nome distintivo acompanhado de um descritor: "Nome, limpezas profissionais". O nome é protegível; o descritor explica.
As quatro verificações antes de decidir
Antes de se apaixonar por um nome, confirme que está disponível nestas quatro frentes:
- Firma: se vai constituir uma sociedade, a firma tem de ser aprovada pelo Registo Nacional de Pessoas Coletivas (RNPC), através do certificado de admissibilidade, que se pode pedir online. Em alternativa, o serviço Empresa na Hora disponibiliza uma lista de firmas já aprovadas.
- Marca: pesquise o nome e variações na base de dados do INPI e no TMview (marcas europeias), na área de atividade da empresa. Um nome livre como firma pode não estar livre como marca.
- Domínio: confirme se o .pt e o .com estão disponíveis, ou pelo menos o .pt. Evite variações com hífenes ou letras trocadas para contornar um domínio ocupado.
- Redes sociais: verifique os nomes de utilizador nas redes que vai usar. Idealmente, o mesmo em todas.
Faça também uma pesquisa simples no Google: quem aparece com esse nome? Se for uma empresa conhecida, mesmo de outro setor, vai competir com ela nos resultados de pesquisa durante anos.
Firma e nome comercial podem ser diferentes
A firma da sociedade não tem de ser o nome que os clientes conhecem. Uma sociedade pode chamar-se "Silva e Ramos, Lda." e trabalhar com uma marca completamente diferente, registada no INPI. Isto dá liberdade para escolher um nome comercial forte mesmo quando a firma pretendida não está disponível.
Um processo simples
- Escreva uma lista longa, sem filtros: palavras ligadas ao serviço, aos valores, à origem, palavras inventadas, combinações.
- Reduza a cinco nomes, usando os critérios acima.
- Faça as quatro verificações a cada um.
- Diga os finalistas em voz alta, escreva-os num logótipo improvisado, imagine-os numa carrinha e num email.
- Durma sobre a decisão. Os nomes que continuam a parecer bons uma semana depois costumam ser os certos.
Escolhido o nome, registe logo o domínio e os perfis nas redes, e avance com o pedido de marca antes de investir em imagem. É a ordem que evita a pior surpresa possível: descobrir, depois de tudo impresso, que o nome não pode ser seu.
