Saltar para o conteúdo
Identidade Visual3 min de leitura

Como preparar o briefing para uma identidade visual

Um bom briefing poupa rondas de revisões e evita um logótipo bonito que não serve. As perguntas a responder antes de falar com o designer, com exemplos de respostas úteis.


"Quero algo moderno e simples" é o briefing mais comum e o menos útil. Moderno e simples descreve metade dos logótipos do mundo. Um briefing a sério dá ao designer o contexto para tomar decisões certas à primeira, e a si os critérios para avaliar as propostas sem depender apenas do gosto.

Sobre o negócio

  • O que faz, em duas frases, como explicaria a um cliente.
  • Há quanto tempo existe e como evoluiu.
  • O que o distingue da concorrência, de forma concreta: prazos, especialização, atendimento, preço, localização.
  • Para onde quer ir nos próximos anos: novos serviços, outras cidades, outro tipo de cliente.

Sobre o público

Quem compra e quem decide nem sempre são a mesma pessoa. Descreva os seus melhores clientes: idade aproximada, profissão, o que valorizam, onde o encontram, o que os preocupa antes de comprar. Se tem clientes de perfis muito diferentes, diga qual é a prioridade.

Sobre a concorrência

Indique três a cinco concorrentes, com os sites ou perfis. Diga o que acha que fazem bem e mal. Isto ajuda o designer a posicionar a sua marca no mapa do setor: perceber que cores, estilos e símbolos já estão ocupados, e onde há espaço para se destacar.

Personalidade e posicionamento

Escolha três a cinco adjetivos que descrevem como quer que a empresa seja percebida, e, igualmente importante, dois ou três que não quer de todo. "Próxima, rigorosa, calma; nunca fria nem infantil" diz muito mais do que "profissional". Indique também o nível de preço em que se posiciona: uma identidade para um serviço premium e uma para um serviço económico tomam caminhos diferentes.

Onde a marca vai viver

Liste as aplicações reais, por ordem de importância: site, redes sociais, fachada, viaturas, fardas, embalagens, documentos, sinalética. Mencione restrições técnicas que conheça: logótipo bordado em pólos, gravado em madeira, impresso em sacos de papel kraft, visto à noite numa montra. Estas restrições mudam as decisões de desenho.

O que manter, se já tem uma imagem

Num rebranding, diga o que os clientes reconhecem e deve sobreviver: uma cor, um símbolo, o nome. E explique porque quer mudar. O motivo da mudança define a profundidade do trabalho.

Referências visuais, com explicação

Junte imagens de marcas de que gosta, de preferência de outros setores, e escreva uma linha sobre cada uma: o que lhe agrada ali? A cor, a letra, a simplicidade, o tom? Uma referência sem explicação pode ser lida de forma completamente diferente da que pretendia.

Questões práticas

  • Orçamento disponível e prazo, incluindo datas que não podem falhar (uma abertura, uma feira).
  • Quem aprova: idealmente uma ou duas pessoas. Identidades aprovadas por comités tendem a ficar com o menor denominador comum.
  • Entregáveis esperados: só logótipo, identidade com guia, aplicações específicas.
  • Se vai registar a marca e em que países.

Não precisa de ter todas as respostas: um bom designer ajuda a completá-las numa primeira reunião. Mas chegar com metade delas pensadas encurta o processo e aumenta muito a probabilidade de a primeira proposta já estar perto do que precisa.

Continuar a ler