Site multilingue: quando vale a pena traduzir?
Inglês "porque sim" é dos investimentos mais desperdiçados em websites. Quando é que traduzir compensa, quanto custa a sério e as armadilhas da tradução automática.
O pedido de "versão em inglês" aparece em muitos briefings quase por reflexo, como se um site sem bandeirinhas fosse menos profissional. Às vezes justifica-se plenamente; muitas vezes é dinheiro parado. A diferença está numa pergunta: quem é, concretamente, o cliente que não fala português?
Quando a tradução se paga
Há casos claros em que o multilingue é investimento e não decoração: turismo e alojamento (o hóspede alemão reserva onde percebe as condições), exportação e serviços a empresas estrangeiras, zonas com forte comunidade internacional — o Algarve e Lisboa são os exemplos óbvios — e lojas online que enviam para fora. Nestes casos, a versão traduzida não é uma cópia: é a porta de entrada de um mercado.
O custo real, que não é só a tradução
Traduzir um site não é traduzir um documento. Cada idioma duplica as páginas a gerir: cada novidade, cada alteração de preço, cada artigo novo passa a existir em duas versões — e a versão esquecida fica desatualizada à vista de todos. Tecnicamente, o site precisa de estrutura própria para o Google perceber que idioma mostrar a quem (as chamadas etiquetas hreflang); sem isso, as versões competem entre si nos resultados.
A armadilha da tradução automática
Os botões de tradução automática parecem a solução barata e são o pior dos dois mundos: o texto sai com a qualidade que qualquer cliente estrangeiro reconhece como automática, e o conteúdo nem sequer conta como versão indexável para o Google. Se o mercado estrangeiro interessa a sério, merece tradução profissional das páginas que importam; se não interessa a sério, é mais honesto — e mais barato — não fingir.
A abordagem que recomendamos: comece pelo português impecável, e traduza quando houver um mercado concreto a justificá-lo — nessa altura, traduza bem, e apenas as páginas que esse mercado vai ler.